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Perder um trabalho não mexe apenas com as contas ou com a rotina. Muitas vezes mexe com algo mais profundo: com a forma como nos vemos no mundo. O trabalho costuma dar estrutura aos dias, sensação de pertencimento e até uma parte da nossa identidade. Por isso, quando ele termina, seja por demissão, reestruturação ou qualquer outra mudança, não se perde apenas uma função. Perde-se também um pedaço da história que a pessoa vinha construindo sobre si mesma.

É comum que, nesse momento, apareça um turbilhão de emoções: tristeza, raiva, culpa, medo do futuro e, às vezes, até um certo alívio. O problema é que esse tipo de perda raramente é reconhecido como algo digno de luto. Espera-se que a pessoa “reaja rápido” e simplesmente siga em frente. Esse tipo de experiência é comumente denominado “luto não autorizado” ou “luto não validado”: uma perda que existe, dói, mas não recebe espaço social para ser vivida.

Dar lugar ao que se sente é parte importante do processo de seguir adiante. Elaborar uma perda não significa esquecer o que aconteceu, mas conseguir integrar essa experiência à própria história e, aos poucos, voltar a investir energia na vida. E isso faz parte do processo de adaptação ao luto. Às vezes isso leva tempo, e às vezes também pede apoio. Mas, no meio desse caminho, uma coisa importante pode ir ficando mais clara: o valor de uma pessoa nunca cabe apenas no cargo que ela ocupava.