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A perda de uma amizade profunda, ou seja, o afastamento de alguém que era porto, espelho e sustentação, costuma ser socialmente minimizada, como se fosse “apenas uma amizade”. Mas a primeira coisa a ser dita é clara: sua dor é legítima. Amizades significativas não são “passatempo”; são pilares de uma vida com sentido. Quando esse vínculo se rompe, parte do chão interior também cede. E isso não é drama, é consequência humana de ter amado.

O luto não é por “só um amigo”, mas pela pessoa com quem se compartilhava intimidade, projetos e reconhecimento mútuo. Ele pode aparecer na evitação de lugares, na tristeza inesperada, na raiva pelo que foi dito ou silenciado, e até na pergunta inquietante: “Quem sou eu agora sem essa parte da minha história?”. Ignorar essa dor ou apenas tentar “superar”, pode não ser suficiente. Essa atitude pode apenas adiar a elaboração. O cuidado começa no acolhimento: nomear o luto, permitir-se sentir e reconhecer que até o alívio, quando o vínculo era tóxico, também é válido.

Reconstruir-se não é substituir o insubstituível, mas reinvestir: primeiro em si, depois em reconexões possíveis e, no tempo certo, em novos contextos. A psicoterapia, em situações de prejuízos funcionais e/ou emoções intensas, pode ser esse espaço seguro onde a perda é reconhecida com profundidade e respeito, permitindo integrar a memória sem ficar aprisionado a ela. Você não está frágil por sentir essa falta. Você é humano, e todo processo humano merece cuidado.