
Imagem: Kris by Pixabay
Quando você decidiu mudar de cidade, estado ou país, provavelmente imaginou novos começos, oportunidades, aventuras. E, de fato, tudo isso pode estar acontecendo. Mas talvez ninguém tenha te avisado que, junto com as caixas de mudança e os endereços novos, você também estaria carregando um peso silencioso: o peso da despedida.
Porque mudar não é só chegar. Mudar é também deixar para trás. Deixar as pessoas que você ama e que agora vivem em telas. Deixar as ruas que conhecia de olhos fechados. Deixar os cheiros, os sabores, os sotaques, os códigos invisíveis que faziam você se sentir em casa. E isso, sim, pode doer como uma perda.
Embora associemos o luto quase que automaticamente à morte, a verdade é que muitas experiências de perda mobilizam processos psicológicos semelhantes. Mudar de cidade é uma dessas experiências.
Algumas atitudes podem ajudar a atravessar o luto da mudança com mais cuidado e consciência: nomeie seu sofrimento; mantenha contato de qualidade com quem ficou; construa sua vida onde você está; crie rituais que conectem passado e presente; permita-se sentir; busque novos pertencimentos.
Se você mudou de cidade e ainda sente que algo dentro de você não se ajustou completamente, quero te dizer uma coisa: seu luto é legítimo. O que você sente tem nome, tem história, tem razão de ser. Mas sua história continua. O que ficou para trás não precisa ser esquecido para que você siga em frente. Pode ser integrado. Pode ser carregado com você, não como peso, mas como parte da sua trajetória.
O luto termina quando a gente consegue lembrar sem se sentir paralisado. Quando a gente consegue sentir saudade e, ainda assim, viver. E viver, no fim das contas, é exatamente isso: aprender a se despedir e a recomeçar. Quantas vezes forem necessárias.
Se precisar de apoio para atravessar esse processo, a psicologia pode ser um espaço seguro para acolher sua história e te ajudar a escrever os próximos capítulos.
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